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Atualidade do conhaque: o que diz a imprensa em português
domingo 11 de Outubro de 2026, por
A imprensa de língua portuguesa fala pouco de conhaque, mas quando o faz o retrato é o de um setor que procura novos caminhos. Reunimos quatro notícias publicadas entre janeiro e julho de 2026, em Portugal e no Brasil, com um breve comentário a cada uma.
Hennessy aposta nos cocktails prontos a servir
Num artigo publicado em julho de 2026, a CNN Portugal descreve a resposta da Hennessy à quebra da procura. As expedições da marca nos Estados Unidos recuaram 9% no ano passado, para 2,92 milhões de caixas, muito abaixo do pico de 5,13 milhões registado em 2020.
Sob a direção de Charles Delapalme, a casa lançou os Hennessy Very Special Cocktails, a primeira vez que vende um produto com outros ingredientes além do conhaque. São três sabores, feitos com o VS da marca, em garrafas de 375 ml a cerca de 14 euros, com uma campanha dirigida a consumidores mais jovens.
O nosso olhar: Compreende-se a vontade de chegar a quem nunca provou conhaque, mas um cocktail engarrafado ensina pouco sobre a bebida. Resta saber se estes novos consumidores chegarão depois a um VSOP ou a um XO bebido puro.
Fonte: CNN Portugal
Rémy Cointreau: o conhaque volta a crescer
A revista Grande Consumo noticiou, em julho de 2026, os resultados do primeiro trimestre do exercício 2026/2027 da Rémy Cointreau (abril a junho). As vendas do grupo atingiram 223,2 milhões de euros, um crescimento orgânico de 1,3%, acima do que os analistas esperavam.
A divisão de conhaque, com Rémy Martin e Louis XIII, cresceu 7,7%, para 141,9 milhões de euros.
- Ásia-Pacífico fora da China: crescimento de dois dígitos, com procura de XO e VSOP
- China: ligeira descida
- Estados Unidos: crescimento sólido
Ainda assim, as ações caíram cerca de 5% após a divulgação.
O nosso olhar: É um sinal animador, mas vem de uma grande casa e de um único trimestre. Convém não o confundir com uma recuperação de toda a região, onde muitos pequenos viticultores continuam à espera de melhores dias.
Fonte: Grande Consumo
Produtores franceses preparam o arranque de vinhas
Em janeiro de 2026, o Agroportal reproduziu um artigo da Vida Rural, que cita a Reuters, sobre um plano de arranque voluntário e compensado de vinhas na região do conhaque. A principal associação de viticultores prevê pagar 6 000 euros por hectare destruído, a somar aos 4 000 euros já atribuídos pelo Ministério da Agricultura francês.
Segundo a mesma associação, as vendas mundiais caíram mais de um terço em três anos, para cerca de 140 milhões de garrafas em 2025. O programa será financiado por empréstimos a reembolsar em dez anos. O setor olha para os acordos da União Europeia com o Mercosul e com a Índia como possíveis novos mercados.
O nosso olhar: Arrancar vinha é sempre uma decisão dolorosa, e pesa mais em quem tem poucos hectares. Esperamos que o ajustamento não se faça sobretudo à custa das pequenas explorações familiares, que dão ao conhaque a sua diversidade.
Fonte: Agroportal
Mercosul-UE: o nome «conhaque» com os dias contados no Brasil
A Rádio Itatiaia explicou, em janeiro de 2026, o que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia muda nos rótulos brasileiros. O termo «conhaque», que remete para Cognac, em França, fica reservado aos produtos da região delimitada.
Os produtores brasileiros dispõem de sete anos para o abandonar, passando depois a usar designações como «brandy» ou «destilado de vinho». Durante a transição, o nome terá de vir acompanhado de uma indicação de origem bem visível. Em contrapartida, a cachaça fica reconhecida na Europa como produto genuinamente brasileiro.
O nosso olhar: Para quem gosta de conhaque, é uma boa notícia: o nome volta a designar apenas a aguardente de uma região e de um saber-fazer precisos. A clareza no rótulo serve o consumidor e é justa para os dois lados, como mostra a proteção dada à cachaça.
Fonte: Rádio Itatiaia
Esta revista resume artigos publicados por outros meios de comunicação; as ligações remetem para as fontes originais.